depressão

A Depressão Também Atinge Crianças?

Segundo o portal da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a depressão já afeta cerca de 2% das crianças do mundo. Apesar de ter características bem específicas, na infância a doença é facilmente confundida com pirraça, mau-humor e tristeza.

Neste post, abordaremos os principais tópicos relacionados à doença e sobre como identificar a sua presença na infância.

O que é depressão?

Trata-se de um transtorno afetivo de origem orgânica ou psíquica que causa uma profunda tristeza por um longo período. Embora esse seja um sentimento comum e necessário para nosso crescimento, geralmente, ela passa e seguimos adiante.

Porém, na depressão infantil, os sintomas são persistentes e os distúrbios de humor vão além da tristeza normal e temporária, sendo uma perturbação que envolve variáveis sociais, psicológicas e biológicas.

Ainda, a criança está em constante processo de aprendizado e de conhecimento das suas emoções. Por isso, ela não sabe expressar verbalmente o que está sentindo, fazendo com que exteriorize o problema através de sintomas físicos e de comportamentos anormais.

O que pode levar uma criança a ter depressão?

Pelo viés biológico, a depressão tem origem na disfunção dos neurotransmissores e neuroreceptores causada por fatores genéticos e hereditários ou em decorrência de enfermidades crônicas, malformações corporais, cirurgias e hospitalizações longas.

Ainda, pelo aspecto psicológico, a criança pode se tornar depressiva em razão de fatores emocionais, tais como, mudanças na rotina ou de endereço, separação dos pais, convívio com familiar deprimido, ansioso ou dependente químico.

Além disso, a recorrência de eventos traumáticos na infância também podem facilitar o desenvolvimento do transtorno, como, por exemplo, fracassos repetidos na escola. A repetição e a variedade desses eventos formam um conjunto de fatores de riscos potenciais.

Como identificar os sinais?

O psicólogo americano Douglas Riley, em seu livro The Depressed Child: A Parent’s Guide for Rescuing Kids”, descreveu a depressão infantil usando a seguinte metáfora:

“… Um astronauta acabe de se deparar com a imensidão do espaço. Por algum motivo, suas amarras de proteção são desfeitas e ele não vê alternativas para voltar à nave, menos ainda para voltar à Terra. Ele agora está à deriva na imensidão do espaço…”

Apenas por esse relato é possível ter uma noção do quão assustador a depressão pode ser para uma criança. Por isso, esteja atento ao comportamento dos seus filhos. Geralmente, os seguintes sinais podem indicar um quadro depressivo:

  • em crianças de 0 a 2 anos, os sintomas são a recusa em se alimentar, desenvolvimento tardio, alterações psicomotoras e na linguagem e problemas de sono;
  • na idade escolar elas podem manifestar regressão no aspecto psicomotor, linguagem e controle esfincteriano;
  • o medo ou a insegurança pode fazer com que a criança fique retraída e quieta;
  • a recorrência de pesadelos e o medo de ficar sozinha ao dormir;
  • agressividade, irritabilidade e autocrítica elevada;
  • mudanças bruscas de comportamento;
  • anorexia, problemas de memória, falta de concentração, enurese, ansiedade, aumento da sensibilidade, sentimento de rejeição, fobia escolar, olhar permanente para o chão, postura arqueada, cansaço, hipoatividade, fala monótona, choro e apatia.

Assim, com a leitura deste post, você já tem uma dimensão de como a depressão atinge crianças e também já sabe reconhecer os principais sinais manifestados por ela.

Quer saber mais? Estou à disposição para solucionar qualquer dúvida que você possa ter e ficarei muito feliz em responder aos seus comentários sobre este assunto. Leia outros artigos e conheça mais do meu trabalho como psiquiatra em São Paulo!

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